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CATARINA BOTELHO

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Retrato de Catarina Botelho por António Júlio Duarte

Retrato de Catarina Botelho por António Júlio Duarte
Nasceu em 1965. António Júlio Duarte começou a expor no fim dos anos 80. Mas prefere as suas fotografias em livros, pensa mesmo a sequência de imagens como se de paginação se tratasse, mesmo quando faz uma exposição. Tem sempre vários projectos que prossegue, muitos relacionados com viagens, muitas vezes ao Oriente. Em Novembro é para lá que vai, para o sul de Xangai. Até 9 de Outubro tem uma individual, «Do Natural», na Módulo, em Lisboa.

A minha vida tem uma casa, a minha casa tem uma sala, uma cozinha, dois quartos, uma casa de banho, um hall de entrada. A minha casa tem gente lá dentro de visita. Falo ao telefone, tomo banho, como, acordo, converso, respiro, dispo-me, visto-me, cago, cozinho, sento-me, acordo sem roupa. A ordem das acções não é para aqui chamada. Não interessa quem sou.
As fotografias de Catarina Botelho, o seu projecto central, são imagens quase sempre de pessoas sozinhas, quase sempre em casa, numa divisão de uma casa mas às vezes também num café. Não são retratos, são pessoas dentro de um espaço que fazem coisas do chamado “dia-a-dia” ou não. Mas alguém também está lá. E um ponto importante é que quem as fotografa nunca “fabrica” nenhuma das suas imagens. São mesmo momentos vividos por todas as partes. Fotografias de uma “insider”. Isto quer dizer que as suas imagens, de alguém que parece estar perdido nos seus próprios pensamentos, ou concentrado num só pensamento, ou também, pode ser, a pensar em nada, simplesmente a “fazer”, são momentos específicos que se tornam imagens singulares, posteriormente, só por si.
Catarina Botelho não começou por tirar fotografias começou por pegar numa câmara de vídeo que tinha à mão, uma Hi8, e filmava enquanto convivia com os amigos. Encontros em férias, amigos que tiveram gradualmente que se habituar à presença aparentemente pacífica de Catarina de máquina em punho. Mas os estudos não foram na escola de cinema, decidiu-se pelas Belas-Artes de Lisboa por preferir uma actividade de cariz mais individual, mais solitário. Tirou Pintura mas nunca pintou com excepção das aulas em que era mesmo obrigatório pegar nas tintas, como a cadeira de Modelos (aulas com modelo nu ao vivo).
Mais ou menos a meio da faculdade começou a achar que tinha mesmo que arranjar um projecto a sério e nada lhe pareceu melhor do que fazer o que sempre lhe tinha sido mais natural, mas desta vez com uma máquina fotográfica. Começou a fotografar os seus amigos nos sítios para onde iam passear, onde estavam a conversar.
No processo perde muitos “momentos” bons por nunca pedir aos seus sujeitos para posarem “mesmo”. Perde momentos porque a mão de alguém, que também está na sala, entra no seu enquadramento, porque perde aquele momento. Mas muitas vezes tem sorte. Depois de muitas fotografias (a câmara é digital, mas começou por tirar slides) Catarina escolhe mas primeiro pergunta ao sujeito se concorda, negoceia e depois expõe. Começou apenas à dois anos a fazer exposições, teve a sua primeira individual este ano na Módulo. A próxima será na Casa de Serralves no Porto. Catarina foi uma das vencedoras do prémio BES Revelação deste ano, juntamente com Pedro Neves Marques e Ivo Andrade que para além de uma bolsa de produção dá direito a uma exposição que inaugura no dia 16 de Novembro.
E a imagem em movimento? Alguma coisa parece estar a anunciar-se. No messenger uma amiga falou-lhe de um workshop chamado One Minute, fazer, em cinco dias, um filme de apenas um minuto. “Vá inscreve-te” e a Catarina respondeu “está bem”, escreveu uma carta, mandou e entrou. Vai ser a primeira experiência, nunca fez isto antes. Vai ser o primeiro filme, se ela quiser.
Esta é uma pista para o futuro, já falei de ontem e de hoje. Agora deixo a música que ouve:

YOU ARE THE MUSIC
(10 ou + favoritos de sempre)

Chico Buarque «Iracema Voou», «Fado Tropical», «Amor Barato», «Palavra de Mulher», «Pedaço de Mim»/ Nina Simone «I Love You Porgy»/ Rolling Stones «Ruby Tuesday», «Wild Horses», «Out of Tears»/ Amália «Gaivota»/ Frank Sinatra «The Lady is a Tramp»/ Bach «Suite #1 para Violoncelo»/ Xutos & Pontapés «Circo de Feras»
Bob Dylan «Tambourine Man»/ Caetano/Chico «Você Não Entende Nada/Cotidiano»/ Billie Holiday «Stormy Weather»/ Beatles «Eleanor Rigby», «She’s Leaving Home», «Strawberry Fields Forever» «Golden Slumbers»/ Adriana Calcanhotto «Esquadros»/ Radiohead «Fake Plastic Trees», «High and Dry»/ Carlos Paredes «Verdes Anos»/ Tom Waits «The Asylum Years» (LP)/ Miles Davies «Some Day My Prince Will Come», «Kind of Blue»/ J.L. Hooker «Crawling King Snake»/ Aretha Franklin «Natural Woman»/ Marlene Dietrich «Just a Gigolo»

MUSIC IS MY RADAR
(10 ou + músicas/álbuns/autores/géneros para trabalhar)

Miles Davies/ Carlos Paredes/ Astor Piazzolla/ Herbie Hancock/ Billie Holiday/ Duke Ellington/ Chet Baker/ Villa-Lobos/ George Gershwin/ Gil Evans/ Nino Rota/ Scott Joplin/ Baden Powell/ Nina Simone

HEY MUSIC LOVER
(10 ou + músicas/bandas que andes a ouvir hoje)

Camané/ Luz Casal/ Bach «Variações Goldberg»/ Marisa Monte «Para Ver as Meninas», «Preciso me Encontrar», «Diariamente»/ Tom Robinson «Glad to be Gay»/ Estrella Morente «Volver», «Vuelvo al Sur»/ Feist «Mushaboom» «Lonely Lonely» «Secret Heart»/ Pink Martini/ Jeanne Moreau «Le Tourbillon»/ Humanos «Rugas»/ Roxy Music «More Than This»/ Ismael Lo «Tajabone»/ Nancy Sinatra/Lee Hazelwood «Some Velvet Morning»/ Ray Charles «Georgia on my Mind»/ Bebo & Cigala «Lágrimas Negras»/ Suede/Jane Birkin «Les Yeux Fermés»/ Duke Ellington/Ella Fitzgerald «Ella at Duke’s Place»/ Mohamed Abde Lohab

HIT MUSIC
(10 ou + guilty pleasures)

Rita Pavone «Sapore di Sale»/ Alejandro Sanz «Corazon Partido»/ Dolly Parton «Rose Garden», «Just When I Needed You Most»/ Adamo «Tombe la Neige»/ Gianni Morandi «Non Son Degno di Te»/ Marco Paulo «Ninguém, Ninguém»/ Abba «Mamma Mia»/ Juan Luis Guerra «Burbujas de Amor»/ Bryan Adams «Please Forgive me»/ Carlos Paião «Coração de Papelão»/ Elba Ramalho «De Volta Pró Meu Aconchego»/ Bee Gees «How Deep is Your Love»

EXIT MUSIC (for a film)
Escolhe uma música que sirva de banda sonora a esta página

John Coltrane «My Favorite Things»

“Pai a Dormir”

“S/T�tulo (Júlia na Cozinha)” 2007

“S/T�tulo (Manel a Despir-se)” 2006

“S/T�tulo (Carolin no Café)” 2006

Written by msdove

February 21, 2008 at 12:10 am