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MAURO CERQUEIRA

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Retrato de Mauro Cerqueira por Isabel Carvalho

Retrato de Mauro Cerqueira por Isabel Carvalho
Nasceu em 1977. Trabalha como artista plástica, autora de BD e é membro de diversos colectivos como Alíngua, ZOINA (um grupo feminista de intervenção artística) ou a banda Flanela de Tal (com Mauro Cerqueira e Luís Eustáquio). Recentemente expôs na Galeria Quadrado Azul, em Lisboa, e até 15 de Março apresenta a peça «Trap», no espaço Mad Woman in the Attick, no Porto.

Julgo ser a primeira tradução para português de «Menos Que Zero», o primeiro e afamado romance de Bret Easton Ellis. É um livro editado pela Teorema em Janeiro de 1987 que marcou os meus anos de adolescência. Primeiro pela ilustração da capa feita por Jorge Colombo – um rapaz na extremidade de uma prancha completamente vestido, num ambiente tipicamente Los Angeles com piscina, palmeiras e um avião que passava – e depois porque o decidi ler. Aquele desenho de Colombo simboliza de alguma maneira, assim em jeito de flashback muito rápido, a minha imagem de miúda do que era olhar para quem era culturalmente activo em Portugal no final dos anos 80 e princípio dos anos 90 – as crónicas de Miguel Esteves Cardoso, o Independente, aquele sítio mítico no qual só consegui que me deixassem entrar anos mais tarde – o Frágil, as fotografias de Inês Gonçalves, a revista Kapa e os desenhos de Jorge Colombo. Isto assim, tudo resumido às três pancadas, é o que a capa do «Menos Que Zero» me faz lembrar.
Mauro Cerqueira tinha 5 anos em 1987. Um dos seus heróis, que regem o Planeta Mauro, um projecto artístico em forma de blog e não só, é Bret Easton Ellis. O seu nome está lá na constelação Planeta Mauro (com logo tipo Planet Hollywood) numa pintura que chapa e assume de caras os nomes que religiosamente segue, como fã, como amigo, como for. Na pintura do Planeta Mauro estão representadas, por nome, as “suas” estrelas – artistas como David Shrigley, Mike Kelley, Richard Prince, Goya, Raymond Pettibon, por exemplo, convivem com Nirvana, Virgin Prunes, The Strokes, ou com Pedro Costa e Isabel Carvalho, sua antiga professora e hoje colaboradora num outro projecto, desta feita, uma banda – os Flanela de Tal.
Depois de uns anos valentes a tentar acabar o 12º ano, Mauro caiu de pára-quedas na Escola Superior Artística do Porto, extensão de Guimarães. Um pólo com poucos alunos e menos dinheiro, mas professores aplicados e jovens, e ateliers grandes. Foi aí que percebeu que podia fazer livremente o que andava a fazer desde pequeno – desenhar. Tirou o bacharelato em Pintura, mas licenciou-se em Desenho. E isto não foi assim há muito tempo. Desde 2005 que desenvolve os seus projectos – são uma parafernália deles, porque quer experimentar tudo – fanzines, blogs, BD, fotografias, música (tem sites para todos) mas também exposições – como as que fez em diversos espaços independentes do Porto como o Apêndice (uma loja no Centro Comercial de Cedofeita), ou o Wasser-Basin, uma sala no Edifício Artes em Partes – onde expôs a série de desenhos «Fuckers» ou na Pilot (escolhido por Ricardo Nicolau) – uma exposição de novos valores que estrategicamente inaugura ao mesmo tempo que feiras de arte como a Frieze, em Londres ou durante grandes exposições como a Bienal de Veneza.
No ano passado, em 2007, 20 anos após aquela edição portuguesa do livro de Ellis, Mauro chamou à sua exposição individual na Galeria Gomes Alves, em Guimarães, «Menos Que Zero». Uma das instalações, duas fotografias e um vídeo em cima de um estrado de madeira marcavam uma espécie de homenagem – as fotografias são das suas tatuagens que fez enquanto puto em Guimarães, o vídeo é uma gravação manhosa de um ensaio da sua primeira banda, os Morgue. São 40 minutos de uma banda que ensaia, insiste e acredita com uma energia que só temos quando ainda é possível chamarem-nos “juventude perdida”, “putos rebeldes” e coisas piores como “não fazem nada, só fazem merda”, ou coisas do género. Outra das peças é «Less Is More/ Love Is Blind», uma rampa que o artista, numa performance, tentou passar em jeito de puto-herói para o outro lado – tentou continuar a viagem de skate pela parede pintada com horizonte. Acto à partida tão falhado que vale a pena tentar, com certeza. Mesmo à força. E mesmo sabendo que se vai bater com a cara no chão.
Os próximos projectos de Mauro, excluindo os blogs em constante “progress”, envolvem um espaço para exposições que está a dinamizar juntamente com André Sousa (na Rua dos Caldeireiros, no Porto) – Uma Certa Falta de Coerência/A Certain Lack of Coherence (título de um livro do artista Jimmy Durham) no qual vai comissariar as três primeiras exposições; a banda Flanela de Tal, projecto novo que tem juntamente com Isabel Carvalho e Luís Eustáquio; e finalmente… «Se Morrer, Morri», uma exposição individual na sua galeria do Porto, a Reflexus, que inaugura no dia 1 de Março (até 5 de Abril). O título e a imagem do convite é o mesmo de um álbum de uma das suas bandas de eleição, «If I Die, I Die» dos Virgin Prunes. Esta é uma pista para o futuro, já falei de ontem e de hoje. Agora deixo a música que ouve.

YOU ARE THE MUSIC
(10 ou + favoritos de sempre)

Flanela de Tal/ Nirvana/ Tam/ Pop Dell’ Arte/ Blur/ Klaxons/ Sonic Youth/ Virgin Prunes/ The Gossip/ Joy Division/ The Smiths/ Pornography/ Daniel Johnston/ Beastie Boys

MUSIC IS MY RADAR
(10 ou + músicas/álbuns/autores/géneros para trabalhar)

Os últimos downloads sacados do emule!

HEY MUSIC LOVER
(10 ou + músicas/bandas que andes a ouvir hoje)

«19 anos»/ «Sereia»/ «Drogado»/ «Goth as Fuck»/ «Caspa»/ «Tina»/ «Um Cão Visionário»/ «Castelo»/ «Fender tender»/ «Andar de Roda»/ «Fantasminha»/ «Spider»/ «Computer Fighter»/ «Colégio»/ «Bomba»

São todas músicas dos Flanela de Tal. Temos ensaiado quase todos os dias!

HIT MUSIC
(10 ou + guilty pleasures)

Há uma do Tony Carreira que não me sai da cabeça mas não sei o nome!

LOST IN MUSIC
10 (que vais levar de certeza contigo para o futuro)

«Musa», Flanela de Tal/ «Botas de Cabedal», Flanela de Tal/ «Prostituta», Pornography/ «The Spark That Bled», The Flaming Lips/ «Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me», The Smiths/ «Rocket Ship», Daniel Johnston/ «Ghost Rider», Suicide/ «Love is Danger», Virgin Prunes/ «Smells like Teen Spirit», Nirvana

EXIT MUSIC (for a film)
Escolhe uma música que sirva de banda sonora a estas páginas

«Love is Danger», Virgin Prunes

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maurocerqueira.blogspot.com
planetamauro.blogspot.com

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Written by msdove

February 23, 2008 at 6:47 pm