SALAD DAYS

Archive for the ‘Miguel Bonneville’ Category

MIGUEL BONNEVILLE

leave a comment »

Retrato de Miguel Bonneville por Julião Sarmento

Retrato de Miguel Bonneville por Julião Sarmento
Nasceu em 1948. Dispensa qualquer tipo de apresentações. É um dos mais internacionais e reconhecidos artistas da sua geração. As exposições são tantas e tão importantes que visitem por favor juliaosarmento.com provavelmente um dos mais bem organizados e mais bonitos sites de artistas plásticos portugueses.

“Miguel Bonneville é uma figura artística sem importância mas que lá vai recebendo uns convites. É também aquela pessoa da família com problemas que a Catarina estava a falar à bocadinho”. Esta é uma adaptação livre a partir de uma das falas da actriz Ana Bustorff numa cena fulcral do blockbuster português «Adão e Eva» (1995) de Joaquim Leitão e da sua nova ideia de família. Este filme, e principalmente Bustorff, marcaram anos de infância de MB, passados no Porto, cidade onde nasceu em 1985, no dia 2 de Janeiro, às 17h30. Estes dados podem eventualmente ser importantes já que a sua ainda curta vida serve de base às suas obras, performances, que tem vindo a desenvolver nos últimos anos. Marca sem qualquer quebra na voz nem pausas incómodas momentos da sua história – aos 3 anos o drama começa com a saída do pai de cena, o sofrimento da mãe; “grandes revelações” (como lhes chama) aos 9 anos, fez um trabalho sobre Van Gogh no colégio Oporto British School, brinca muito com barbies (desde sempre e até aos 13 anos), vestia-as, fazia argumentos, fazia filmes com as bonecas; aos 13 começa a ouvir pop mais alternativo, a vestir as calças largas do pai, o irmão mais velho e os amigos foram influências importantes, eram os anos 90. Quando era mesmo pequeno queria ser pintor de casas ou “cozinhor”, coisas que hoje odeia. Pensou depois que queria ser actor de cinema, tirou o curso profissional de teatro (na Academia Contemporânea do Espectáculo), um percurso sinistro (tipo “sub-Fame”, diz) acompanhado por algumas experiências profissionais paralelas com Francisco Camacho, como a que fez no Museu de Serralves sobre a obra de Francis Bacon. Em 2003 quando acabou o curso atirou-se de cabeça para duas performances em nome próprio nos Maus Hábitos no Porto, «Strip Me, Dress Me» e «Teatro». Desde aí mudou-se para Lisboa e nunca mais parou. Porque MB representa, desenha, escreve (até editou um livro de poesia, «Os Diários de C.C. Rausch»), dança, compõe música (com o nome Black Bambi), canta. Teve uma banda que deu concertos, os HEX com um hit “muito underground lisboeta”, «Texana Azul» em que partilhava o microfone com Sofia Arriscado, outra criadora do norte em Lisboa (É-me impossível não colocar aqui o refrão da “texana” – “Casaco de couro/ manga caviada/ voltinha de ouro/ sou um grande touro / eu gosto da minha texana azul”). Depois de muitos trabalhos como intérprete ou como uma data de outras coisas (como por exemplo figurinista) com Camacho, Carlota Lagido, Rita Só, entre outros, MB começa a afirmar-se como performer na capital e por aí fora (já apresentou trabalhos em Barcelona, Alemanha…). Faz performances porque é aí que pode usar todos os suportes, vídeo, corpo, voz, música, desenho, palavra e as performances passaram a ter o seu nome próprio como título seguidas de números, já que é mais honesto, no fundo, todas falam dele, todas usam o seu corpo para dar vida a outras personagens, principalmente a uma loura, a amante do seu pai, mas também os pais como entidade, a representação da família, da nossa ideia de família, e o próprio, o performer. Já criou «Miguel Bonneville #1», em que se vestia de urso e levava um saco de compras (daqueles de rodinhas) para se revelar numa loura em roupa interior, «Miguel Bonneville #2», em leggings de leopardo enrola-se totalmente em fita-cola “frágil”, «Miguel Bonneville #3», uma performance em duas partes, uma com vídeo e outra em que canta ao vivo vestido de esqueleto de lantejoulas prateadas e em Novembro vai estrear em Lisboa «Miguel Bonneville #4».
Mas ao contrário do que seria de esperar o Miguel não gosta nada de ensaiar. Prefere escrever no seu caderno todos os passos, delinear toda a ideia da performance com desenhos, palavras, esquemas e depois esperar o público e fazer. Talvez por isso deu-lhe vontade de concorrer, no ano passado, ao Curso de Artes Visuais do Programa Gulbenkian Criação e Criatividade Artística. Daí foi um passo até «O Sítio das Artes», uma residência “aberta” que decorreu este ano no mesmo espaço expositivo que costuma acolher a colecção de arte de Centro de Arte Moderna. Foi aí que iniciou novo projecto, «Family Project» que já tomou forma de “tableaux vivant” numa performance com vários interpretes (está no youtube) e de performance no Centro Galego de Arte Contemporânea (em Santiago de Compostela). Em breve vai apresentar «MB#3» e «MB#4» no dia 23 e 24 de Novembro integrado no Festival Depois da Tempestade nos estúdios da Bomba Suicida no Bairro Alto. Entretanto podem também apanhá-lo a passar música e a cantar estilo MC nas noites Black Sugo no Europa uma vez por mês, uma parceria entre Black Bambi e DJ Sugo (a artista Susana Guardado). Porque não parece existir nada que faça decrescer a energia do Miguel. Esta é uma pista para o futuro, já falei de ontem e de hoje. Agora deixo a música que ouve.


YOU ARE THE MUSIC

(10 ou + favoritos de sempre)

«My Beautiful Leah», PJ Harvey/ «Six Underground», Sneaker Pimps/ «Fuck The Pain Away», Peaches/ «Emotion & Style», Belle Chase Hotel/ «Glorybox», Portishead/ «Down By The Water», PJ Harvey/ «Queer», Garbage/ «Mirrorball», Jay Jay Johanson/ «Fun For Me», Moloko/ «Wicked Game», Chris Isaak


MUSIC IS MY RADAR

(músicas para trabalhar/ouvir em casa)

«Die Lippe», Daf/ «Flavor», Girls In Hawaii/ «Milkshake», Kelis/ «Paris Hilton», Mu/ «Mr You’re On Fire Mr (Cover)», Yeah Yeah Yeahs/ «Fuck It Up», Dream City Film Club/ «Broken Homes», Tricky & PJ Harvey/ «What It Means», Barry Adamson/ «Lost Souls», Celebration/ «Feelin’ Free», Sukia


HEY MUSIC LOVER

(músicas, bandas, álbuns que andes a ouvir hoje)

«Liars», Liars (LP)/ «Kala», M.I.A. (LP)/ «Maxinquaye», Tricky (LP)/ «No Shouts, No Calls», Electrelane (LP)/ «The Sporting Life», Diamanda Galás & John Paul Jones (LP)/ «Hatful Of Hollow», The Smiths/ «Gimme More», Britney Spears/ «Biddings», Dandi Wind/ «Do It Again», Chemical Brothers/ «Malediction», Einsturzende Neubauten (LP)


HIT MUSIC

(I have no guilty pleasures)

«Stars Are Blind», Paris Hilton/ «El Reloj», Los Panchos/ «De Mulher Para Mulher», Ágata & Romana/ «Happy Nation», Ace Of Base (LP)/ «Tu Não Prendas O Cabelo», José Pinhal/ «Texana Azul», Hex/ «Ahy Amor», Juan Avila/ «Local God», Everclear/ «Lambada», Kaoma/ «Goldeneye», Tina Turner


LOST IN MUSIC

(10 que vais levar de certeza contigo para o futuro)

«Luv 4 Luv», Robin S./ «Stealing Beauty Ost», Stealing Beauty Ost/ «Is This Desire», PJ Harvey/ «Dummy», Portishead/ «Tattoo», Jay Jay Johanson/ «Do You Like My Tight Sweater?», Moloko/ «Becoming X», Sneaker Pimps/ «Homogenic», Björk/ «Fever In, Fever Out», Luscious Jackson/ «Best Of», Roy Orbison


EXIT MUSIC FOR A FILM

(escolhe uma música que sirva de banda sonora a estas páginas)

«Push, Make It Work», Princess Superstar/ «Pump The Jam», Technotronic



Miguel Bonneville #1 (performance)

Miguel Bonneville #2 (performance)

Miguel Bonneville #3 (performance)

miguelbonneville.blogspot.com
myspace.com/miguelbonneville
myspace.com/miguelbonnevilleperformance
youtube.com/bambille

Advertisements

Written by msdove

February 21, 2008 at 12:53 am