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RITA GT

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Retrato de Rita GT por Francisco Vidal

Retrato de Rita GT por Francisco Vidal
Nasceu em 1979. Expõe regularmente desde 2003. Utiliza como suportes, entre outros, o desenho e a instalação. A sua última exposição individual foi «Água», na sua galeria lisboeta, a 111, onde apresentou, por exemplo, «DJ Alfaiate», um pintura sobre azulejo. A peça que aqui reproduzimos, retrato de Rita GT, intitula-se «Snake Eyes» (técnica mista sobre papel, 2006). Nos próximos meses vai rumar a Berlim a cidade-atelier de muitos artistas portugueses.

Em resposta a um trabalho da Faculdade de Belas Artes do Porto em que era pedido que fizesse a identidade gráfica de um Museu do Homem fictício, Rita GT (Rita Guedes Tavares) optou por fazer o exercício – que envolvia o desenho de um logótipo, de um identidade corporativa, entre outras coisas sérias e cheias de “targets” e “briefings” – sobre o Museu do Homem Gay. Só esta história, envolta em gargalhadas enquanto a contava, mostra como Rita lidou com os seus anos de formação. Tornou-se evidente que os seus interesses não se enquadravam com as normas “velhas” das escolas de arte estatais do nosso pais. Quando entramos para a Faculdade de Belas Artes, das duas uma, ou ficamos inertes com tantas teias de aranha ou vamos à luta e agradecemos a ajuda de um ou outro professor iluminado e interessado em ensinar o fim do Séc. XX ou mesmo, quem sabe, a própria década em que vivemos.
Rita GT frequentava o curso de Design de Comunicação e cumpria os trabalhos pedidos com dedicação, como por exemplo, o desenho de um cartaz de uma exposição de arquitectura – esmerava-se na composição, no equilíbrio mas colocava o peso-pesado Álvaro Siza Vieira com umas “orelhinhas”… era-lhe irresistível subverter. Os últimos trabalhos que fez ainda na faculdade, mostravam a viragem: livrou-se do virtuosismo técnico de “computer geek” que adquiriu durante o curso e voltou aos básicos – produziu um evento – a «Cantina Internacional» em que cozinhou “comidas do mundo” para os colegas de escola, estudantes Eramus incluídos, claro. Rumou em 2004 para Lisboa e para a Escola Maumaus, onde diz, um ano do Curso Avançado em Artes Visuais valeu mais “que 5 anos nas Belas Artes do Porto”. Nos anos que se seguiram apresentou vários trabalhos em diversas exposições colectivas com os alunos da Escola Maumaus, num programa de intercâmbio frequentou a Malmö Art Academy, na Suécia e fez «Uma Acção Independente no Mercado da Arte», na Feira de Arte de Lisboa (Novembro de 2006) e «Outra Acção Independente no Mercado da Arte», na Feira de Arte de Madrid, o Arco (Fevereiro 2007). Acções independentes porque as fazia como visitante mas agente “infiltrada” em que interagia com os presentes, vestindo um casaco com pequenas colunas que emitiam som de guitarras de braço dado com o “homem pano do pó” (o artista Ramiro Guerreiro) ou vestida de “criadinha”, de preto e avental branco e crista, a distribuir bolachas com a cara do Rei de Espanha.
Em 2007, fez a sua primeira exposição individual no espaço PESSEGOpráSEMANA – «Tropicalismos Luso e outras Naturezas Mortas» envolvia uma série de fotografias em caixas de luz em que a própria encarnando Carmen Miranda ou envergando uma máscara de macaco se inseria dentro de uma parafernália de objectos típicos, elementos, frutas que povoam as naturezas mortas na história de arte. Nas suas palavras – “o máximo da natureza morta, viva”. A sua vontade de subversão e o constante questionar da história e da teoria da arte levaram-na mesmo ao Museu Nacional de Arte Antiga, onde vestida de membro de “staff” que manuseia as obras de arte mas em versão “pin-up”, fato macaco, luvas brancas mas saltos altos pretos, interagiu com a “pièce de résistance” do museu – «As Tentações de Sto Antão» de Hieronymus Bosch. Na última edição da exposição Anteciparte, em Novembro do ano passado, no Museu Nacional de História Natural, Rita GT apresentou o seu próprio pequeno museu – um museu “tax free”, como uma loja de souvenirs tão frequente nos grandes museus blockbuster de hoje. Mas este está cheio de animais empalhados em cima de plintos (emprestados pelo próprio Museu de História Natural e a fazer lembrar a exposição do Mundo Português de 1940) e pratinhos pintados, serigrafias vendidas no chão como se estivéssemos na rua, tshirts, néon gigante a anunciar a “Still Life” e o retorno da criada de servir que nos oferecia pins amarelinhos “museum duty free” de bandeja e sorriso em punho. Nos próximos meses, Rita GT vai estar na cidade barata, disponível e que é íman para artistas que se querem concentrar no seu trabalho 24 sobre 24 horas – Berlim. Esta é uma pista para o futuro, já falei de ontem e de hoje. Agora deixo a música que ouve.

YOU ARE THE MUSIC
(10 ou + favoritos de sempre)

«Amber», Autechre/ «I’m Gonna Love You Just A Little More», Barry White/ «Deep Blue Sea», Brian Eno/ «I Feel For You», Chaka Khan/ Chemical Brothers/ «Jack Your Body (A Frankie Knuckles Chicago HouseMix)», Classic House/ Cody Chesnutt/ «Be», Common/ De La Soul/ «Jump», Criss Cross/ Burial, todos os álbuns/ Mike Ladd, todos os projectos dele!/ «Groove is in the Heart», Dee-lite/ «Fantasy Girl», DJ Pierre/ «The End», The Doors/ «My Heart Belongs to Daddy», Eartha Kitt (Cole Porter)/ Electronicat/ «You Make No Sense», ESG/ «Insomnia», Faithless/ «Little Ghetto Boy», Galliano/ «Voodoo Ray», A Guy Called Gerald/ «Jump Around», House of Pain/ Jeans Team/ Jesper Dahlbäck/ «Acid Eiffel», Laurent Garnier/ «Snoop’s Acid Drop», Les Visiteurs/ «House Music», Marshall Jefferson/ Quasimoto/ RJD2/ «The Seed», The Roots/ «Pump Up The Jam», Technotronics/ «Spiritual Love», Urban Species/ «Thriller», Michael Jackson

MUSIC IS MY RADAR
(10 ou + músicas/álbuns/autores/géneros para trabalhar)

Kid606/ AGF/ «A2 Pulse», «TransRapid», Alva Noto/ «Space Night IV», Anthony Rother/ Micheal Mayer/ «Appetite for Disctruction», Funkstorung/ «Acid Eiffel», Laurent Garnier/ «Trainspotting», Primal Scream/ Electronicat

HEY MUSIC LOVER
(10 ou + músicas/bandas que andes a ouvir hoje)

Todas!

HIT MUSIC
(10 ou + guilty pleasures)

«Lick It», Andreas Dorau ft. Roula/ «Dirty Cash (Money talks)», Adventures of Stevie V/ «Survivor», «Say My Name», «Nasty Girl», Destiny’s Child/ «Touch Me», DJ Tiesto/ «Rock Your Body», Justin Timberlake/ «Body Language», Kylie Minogue/ DJ Vibe, as antigas dos 80s e 90s/ «Short Dick Man», Salt N Pepa/ Tiga/ Hélder, Rei do Kuduro

LOST IN MUSIC
(10 que vais levar de certeza contigo para o futuro)

Provavelmente todas!

EXIT MUSIC (for a film)
Escolhe uma música que sirva de banda sonora a estas páginas

«21st Century Toy», Electronicat

Museu de Arte Antiga

Tropicalismos Luso e outras Naturezas Mortas

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Written by msdove

February 21, 2008 at 3:00 am

Posted in Rita GT

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