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SARA & ANDRÉ

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Retrato de Sara & André por Pizz Buin

Retrato de Sara & André por Pizz Buin
Colectivo formado em 2005, as Pizz Buin são Sara Morgado dos Santos, Rosa Baptista, Irene Pereira de Sá e Vanda de Jesus Madureira. Em 2007, na exposição «Trabalhar Cansa», comissariada por Maria do Mar Fazenda, apresentaram «Acção Parasita: Projecto casa: divisão – cozinha», uma instalação na cozinha da galeria, recheada de cópias/reproduções feitas com perícia, e com algumas precisas alterações, de obras icónicas e outras nem tanto, da história da arte. Com humor mordaz e provocação. Este retrato de Sara & André é “copiado” de uma fotografia de Jeff Koons e Cicciolina. O trabalho das Pizz Buin pode ser visto até 20 de Janeiro na CACE Cultural do Porto, na exposição colectiva EDP Novos Artistas.

If you think that a kiss is all in the lips/ C’mon, you got it all wrong, man”, letra de «The Denial Twist», The White Stripes

São dois, a chamada dupla, não sabemos bem se também casal, ou se irmãos, namorados, primos, casados, solteiros, muito menos se foram baptizados. Como Jack & Meg (dos White Stripes), gostam deste “mistério” e também da associação à dupla americana. Sabemos que juntos são mais que a soma das partes, e não precisam de últimos nomes. Sara & André, assim com E comercial, encontraram-se, ainda Sara e André quando tinham 16 anos, na extinta casa ocupada da Praça de Espanha. Terreno fértil para uma geração que começa agora a aparecer. A partir daí a associação, um ao outro, agradou-lhes. De tal maneira que se tornou inevitável o trabalharem juntos também. A Sara (n.1980) estava a tirar Realização Plástica de Espectáculos na Escola Superior de Teatro e Cinema em Lisboa, o André (n.1979) na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. Começaram a trabalhar em conjunto em 2000, e iniciaram «Claim To Fame» em 2004. Neste projecto estes dois “putos” com ar “normal” e um bocado tímidos, assim, à primeira, reclamam a fama – a notoriedade, obviamente para questionarem, como artistas plásticos, todos os conceitos e mecanismos inerentes – por eles arranjavam um gabinete de imprensa, assistentes, consultores, curadores, se calhar, personal stylists, tudo ao seu serviço. Os primeiros trabalhos visíveis foram performances – quando convidados a participar numa exposição no espaço Pêssego Prá Semana, este ano no Porto, fizeram-se acompanhar de fotógrafos – «Sara & André Chegam ao Porto», fotografias e um vídeo no aeroporto. Antes já tinham, de quando da exposição de finalistas de André na ESAD, feito «Sara & André Visitam a Exposição» e «Sara & André Passeiam no Parque». As obras finais, são fotografias e vídeos dos mesmos a serem perseguidos e “apanhados” por paparazzis, mas estão muito calmos, resignados com a sua condição, não tapam a cara, mas também não sorriem por aí além.
Foi assim, nesta “construção”, ainda em fase embrionária, que os conheci – pediram-me para os representar numa conferência. Foi em Maio deste ano – fui a interlocutora de Sara & André, na primeira conferência Pecha Kucha, no Teatro Cinearte. Tive que, em 6 minutos e 40 segundos, dilacerar a história, até ali, do percurso de duas pessoas nas artes plásticas. Ainda bem que são jovens. Eles “não podiam estar presentes” mas estavam sentados na plateia. A descrição de trabalhos que arrancou mais gargalhadas foram os da sua «Fundação». Sara & André sabem como é importante ter uma colecção de arte hoje em dia, como é sinal de “estatuto”. Sem um tusto mas com muita perícia, este dois pedem a colegas para fazer obras sobre si, sobre a dupla – conteúdo e forma. O primeiro foi Gonçalo Pena, mas até agora a fundação já tem, ou estão em processo, obras de Francisco Rebolo, Marco Mendes, Marta e Alves (dos Calhau), Rosa Baptista, Linda de Sousa, João Maia Pinto, Ramiro Guerreiro e Miguel, um rapaz que estuda Engenharia do Ambiente com um gosto particular por escrever pelas paredes de edifícios frases precisas, que têm em conta o contexto social. É o autor da frase – “Rute Vamos a Beirute”, “sprayada” na altura dos conflitos. Miguel elaborou um conjunto de frases especificamente para Sara & André – algumas, poucas, ainda se podem ver pela cidade de Lisboa. As frases são sugestivas e provocadoras – «Sara & André comeram Dan Graham», «Sara & André são mais rápidos que Duchamp» ou «Sara & André destruíram Bruce Nauman». Associações da dupla a grandes nomes da arte contemporânea. Aqui nestas páginas também temos a honra de apresentar o último trabalho “adquirido” pela Fundação Sara & André, uma obra do colectivo Pizz Buin, uma “reprodução”, palimpsesto de uma imagem até pouco ousada de Jeff Koons e Cicciolina. Enquadrou-se na perfeição no nosso retrato habitual, feito por outro artista. Em breve, a fundação terá também uma vertente musical que contará, podemos revelar já, com a colaboração dos Munchen. Apesar do humor e de jogarem sempre com a aparente “formalidade” dos assuntos que reflectem, as questões lançadas são determinantes, pertinentes e precisas. Sara & André tomam muita coisa da sua vida de jovens artistas como uma possível “acção”, seja uma conferência, ou as páginas de uma revista, ou uma obra numa galeria, tudo é passível de ser “usado”, no melhor sentido da palavra. No próximo ano, para além da sua “ongoing” colecção de arte terão uma exposição individual na sua nova galeria, a 3+1, no Chiado. Esta é uma pista para o futuro, já falei de ontem e de hoje. Agora deixo a música que ouvem, que neste caso particular foi também escolhida não só por serem músicas que gostam mas por todas terem em comum um tema preciso…

YOU ARE THE MUSIC
(10 ou + favoritos de sempre)

«Fame», David Bowie/ «Cover of the Rolling Stone», R. Steevie Moore/ «Fame», Irene Cara/ «Money Success Fame Glamour», Felix da Housecat/ «Fame and Fortune», Elvis Presley/ «Hollywood», Jay-Z/ «Song For A Future Generation», B-52’s/ «Hollywood», CSS/ «Fortune and Fame», 2PAC/ «Hollywood Freaks», Beck

MUSIC IS MY RADAR
(10 ou + músicas/ albums/ autores/ géneros para trabalhar)

«I Wanna Be Adored», Stone Roses/ «There She Goes», Fame Soundtrack/ «Frankly Mr Shanky», The Smiths/ «Andy Warhol», David Bowie/ «Fame Throwa», Pavement/ «I Sing The Body Electric», Fame Soundtrack/ «Friends», Tanya Stephens/ «Flexible», Depeche Mode/ «Hollywood», Madonna/ «Fame», Dr Dre

HEY MUSIC LOVER
(10 ou + músicas/bandas que andes a ouvir hoje)

«I Don’t Want To Be Nice», John Cooper Clark/ «Personality Crisis», Sonic Youth/ «I’ll Take Love», Elvis Presley/ «Daddy Big Boots», Elvis Presley/ «I Did It My Way», Sex Pistols/ «Ernestina Maçaroca», José Barata Moura/ «Get Real Paid», Beck/ «Exibicionismo», Valete/ «Money», Bohemians VS Cowboys/ «Shine Like A Star», Ims

HIT MUSIC
(10 ou + guilty pleasures)

«Song 3», Robbie Williams/ «Shine Like A Star», Wise/ «Peanuts», The Police/ «Rock Me Amadeus», Falco/ «You’re So Vain», Carly Simon/ «Girls on Film», Duran Duran/ «Fame and Fortune», Bad Company/ «Rio», Duran Duran/ «The Memory Remains», Metalica/ «Video Killed the Radio Star», Buggles

LOST IN MUSIC
(10 que vais levar de certeza contigo para o futuro)

«Starpower», Sonic Youth/ «Good Times», Jim O’Rourke/ «Movie Star», Delroy Wilson/ «New Age», Velvet Underground/ «Take Take Take», White Stripes/ «I Did It My Way», Frank Sinatra/ «Range Life», Pavement/ «Is It Because I’m Black», Syl Johnson/ «White Horse», George Clinton & Parliament Funkadelic/ «Rocky Theme», Various Artists

EXIT MUSIC (for a film)
Escolhe uma música que sirva de banda sonora a estas páginas

«Sleep Walk», Santo & Johnny

Trabalho de Ramiro Guerreiro para a “Fundação” de Sara & André

Trabalho de Gonçalo Pena para a “Fundação” de Sara & André

“Sara & André visitam a exposição”

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Written by msdove

February 21, 2008 at 2:13 am

Posted in Sara & André

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